Por Záfya Tomaz
O primeiro debate presidencial das eleições de 2026 terminou neste domingo (23) sem a presença de três dos principais nomes da disputa: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). O encontro da Band reuniu Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
As ausências levantaram uma discussão que deve acompanhar a campanha: faltar a um debate é uma estratégia eleitoral ou pode acabar custando caro ao candidato? Lula alegou falta de igualdade nas condições do encontro. Flávio decidiu não participar sem a presença do petista, enquanto Zema desistiu após a confirmação da ausência de Lula.
Na Bahia, a discussão também ganhou força recentemente. Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) não participaram de um debate da Bahia FM, realizado na última quarta-feira (19). O governador justificou a ausência por uma agenda institucional previamente marcada, enquanto Neto condicionou sua participação à presença de Jerônimo. Ronaldo Mansur (PSOL), único dos três a comparecer, acabou sendo entrevistado pela emissora.
A estratégia tem dois lados. Ao evitar o confronto, o candidato reduz a exposição a ataques, perguntas inesperadas e possíveis declarações que podem gerar repercussão negativa. Por outro lado, deixa o palco livre para os adversários, que podem fazer críticas sem precisar ouvir uma resposta imediata.
Foi o que aconteceu no debate presidencial. Mesmo ausentes, Lula e Flávio foram citados pelos candidatos presentes. Para nomes menos conhecidos, por outro lado, o debate pode representar uma oportunidade importante de ganhar visibilidade e apresentar propostas ao eleitor.
A legislação eleitoral estabelece regras sobre quais candidatos devem ser convidados pelas emissoras, mas não obriga o candidato a comparecer. A ausência, portanto, não gera, por si só, cassação do registro.
Durante o debate, Caiado chegou a defender a cassação dos registros de Lula e Flávio pelas ausências, alegando desrespeito ao eleitor. A declaração, porém, tem caráter político e não corresponde a uma punição prevista na legislação eleitoral.
Em uma campanha cada vez mais concentrada nas redes sociais, os debates são um dos poucos momentos em que os candidatos ficam frente a frente, respondem às mesmas questões e precisam reagir aos adversários em tempo real. Para o eleitor, também é uma oportunidade de comparar propostas e observar como cada candidato se comporta sob pressão.
No fim, a decisão de participar envolve uma escolha entre o risco do confronto e o ganho da exposição. E, enquanto a campanha avança, tanto na disputa presidencial quanto na Bahia, as ausências também podem acabar se transformando em um elemento da própria disputa eleitoral.