Dois jovens foram mortos neste domingo (23), em Salvador, em episódios que teriam relação com conflitos entre torcedores durante o Ba-Vi disputado no Barradão. As vítimas foram José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, e Lucas dos Reis Bonfim, de 19.
José Alexandre, conhecido como Nakombi e integrante da Bamor, foi perseguido e agredido por um grupo na Avenida 29 de Março, na Via Regional, uma das principais vias de acesso ao Barradão. Segundo a Polícia Civil, ele também foi atingido por golpes de faca. O jovem chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Ele deixou um filho de apenas dois meses.
Seis homens foram conduzidos ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e autuados em flagrante por homicídio qualificado, quatro tentativas de homicídio, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto, conforme previsto no Estatuto do Torcedor. Os suspeitos apresentavam vestígios de sangue nas roupas, segundo a Polícia Civil.
O segundo caso aconteceu no bairro de Castelo Branco. Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, foi encontrado morto após ser atingido por disparos de arma de fogo. De acordo com informações preliminares, ele também teria sido atacado na Avenida 29 de Março e fugido para uma área de mata. Ferido, teria percorrido uma longa distância antes de morrer em decorrência da perda de sangue.
A Polícia Civil informou que, inicialmente, os dois casos são tratados como ocorrências isoladas, mas as investigações vão apurar se existe alguma relação entre as mortes. O DHPP expediu guias para perícia e remoção dos corpos e realiza diligências e oitivas para identificar os responsáveis e esclarecer as motivações.
Segundo o padrinho de Lucas, Ueslei Reis, o jovem era torcedor do Vitória desde criança, mas havia passado a integrar a Bamor cerca de três meses antes da morte, após começar a torcer pelo Bahia por influência de um amigo. Nas redes sociais, ele lamentou a morte do afilhado e fez um apelo para que outros jovens deixem as torcidas organizadas.
A Bamor publicou uma nota lamentando as mortes e afirmou repudiar atos de violência. A organizada cobrou uma investigação rigorosa, com identificação e responsabilização dos envolvidos. O Vitória também se manifestou e declarou que não compactua com episódios de violência.
O Bahia também lamentou os casos e defendeu uma investigação profunda e a punição dos responsáveis. Em nota, o clube afirmou que “Não há rivalidade que justifique” os episódios registrados antes do clássico e classificou a situação como “inadmissível”, “revoltante” e “insustentável”.
Confira a nota do Bahia:
“O Esporte Clube Bahia SAF lamenta profundamente e repudia com veemência os episódios de violência registrados antes do clássico deste domingo (23), que resultaram na morte de torcedores.
Não há rivalidade que justifique. É inadmissível, é revoltante e é insustentável.
O futebol jamais pode ser utilizado como justificativa para atos criminosos. Futebol é saúde, integração e lazer. Não é terror e morte. Não podemos normalizar que sair de casa para torcer torne-se algo perigoso.
Nos solidarizamos com as vítimas e seus familiares e esperamos das autoridades uma investigação profunda e a punição rigorosa dos responsáveis.
O Bahia seguirá defendendo o futebol como ferramenta de inclusão e socialização, onde a vida esteja sempre em primeiro lugar.”
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) também condenou os episódios de violência registrados antes do clássico e lamentou as duas mortes. O órgão reforçou que o esporte deve ser espaço de convivência, respeito e celebração, e não de agressões e destruição.
Veja a nota da Bamor:
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