Mãe Bernadete: júri avança e entra em fase decisiva no segundo dia

Por Redação 14/04/2026, às 09h37 - Atualizado às 12h07

O julgamento dos acusados pelo assassinato de Maria Bernadete Pacífico Moreira, líder quilombola e ialorixá, foi retomado na manhã desta terça-feira (14), a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. O primeiro dia do júri, realizado na segunda (13), foi marcado pelo depoimento de três testemunhas e pela confissão de um dos réus.

A sessão é conduzida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos e entrou na fase de debates entre o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a assistência de acusação e as defesas. Cada parte terá até 2h30 para sustentar suas teses, com direito a réplica de até 2h, o que pode estender o julgamento por até 9 horas. A expectativa é de que o júri seja concluído ainda nesta terça, com a apresentação do veredito.

No primeiro dia, o réu Arielson da Conceição Santos confessou participação no crime, mas afirmou que a intenção inicial seria apenas “dar um susto” na vítima e que a situação saiu do controle. Além dele, Marílio dos Santos também é julgado nesta etapa, mesmo estando foragido.

Os dois respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito. Segundo denúncia do MP-BA, o assassinato foi motivado pela oposição de Mãe Bernadete à atuação da facção criminosa Bonde do Maluco no território do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho.

A assistente de acusação, a advogada Isabela Dario, afirmou esperar a condenação máxima dos réus, destacando que “as provas técnicas e testemunhais são robustas”. Já o secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, e o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, ressaltaram a importância do julgamento como resposta institucional à violência contra defensores de direitos humanos.

O caso

Maria Bernadete Pacífico Moreira foi assassinada com 25 tiros em 17 de agosto de 2023, dentro da associação quilombola que liderava. O processo foi transferido de Simões Filho para Salvador por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), para garantir a imparcialidade do júri, formado por sete jurados.

Outros três denunciados pelo MP-BA ainda aguardam definição de data para julgamento: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, apontado como mandante do crime.