PF deflagra operação contra esquema de bets clandestinas e lavagem de dinheiro

Por Redação 06/07/2026, às 21h00 - Atualizado às 19h14

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (6), a Operação Véu de Maia para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligado à exploração ilegal de apostas esportivas no Brasil. Ao todo, 87 empresas são investigadas por supostamente atuarem como empresas de fachada para operar bets clandestinas e enviar recursos ao exterior por meio de criptoativos.

A ação cumpre nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), São Paulo e Ribeirão Preto (SP), além de Porto Alegre e Canoas (RS). Durante uma das diligências em Canoas, os policiais encontraram quatro armas sem registro, resultando na prisão em flagrante do morador do imóvel. Os investigados podem responder por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.

As investigações tiveram início após informações repassadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, que identificou indícios de exploração irregular de apostas em maio de 2025. Segundo a pasta, também foi solicitado o bloqueio dos domínios eletrônicos utilizados pelas plataformas ilegais, embora os nomes das marcas não tenham sido divulgados.

De acordo com o Ministério da Fazenda, os sites investigados são considerados clandestinos por não possuírem autorização para operar no país. Além de não pagarem a taxa de licenciamento de R$ 30 milhões nem recolherem tributos, essas plataformas deixam de cumprir regras de publicidade e mecanismos de proteção aos apostadores, como o sistema de autoexclusão.

Segundo o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, cerca de 300 operadores estariam por trás dos quase 50 mil sites ilegais já derrubados, utilizando 37 instituições financeiras para processar pagamentos. Estimativas da consultoria H2 Gambling Capital apontam que o mercado clandestino movimentou R$ 16,3 bilhões em 2025, enquanto um estudo da LCA, encomendado pelo IBJR, estima que esse volume possa variar entre R$ 26 bilhões e R$ 39 bilhões, representando até 51% do mercado de apostas no país.