Por Záfya Tomaz
Em uma eleição marcada pelo equilíbrio entre os principais candidatos ao Governo da Bahia, o 7 de Setembro chega como mais uma oportunidade de exposição política. A data, que tradicionalmente reúne autoridades, movimentos sociais e manifestações populares, também pode servir para medir capacidade de mobilização e produzir imagens com potencial de repercussão eleitoral.
O cenário estadual está apertado. Pesquisa AtlasIntel/A TARDE divulgada na última quinta-feira (3) aponta ACM Neto (União Brasil) com 48,8% e Jerônimo Rodrigues (PT) com 47,5% em um dos cenários de primeiro turno. Na simulação de segundo turno, a diferença também fica dentro da margem de erro: Neto aparece com 49,2%, contra 48,6% de Jerônimo. A margem é de dois pontos percentuais.
Nesse contexto, a participação de cada um no feriado pode ter significados diferentes. Jerônimo participa do 7 de Setembro na condição de governador da Bahia, e não como candidato em uma agenda eleitoral. A posição institucional, porém, não elimina o peso político da exposição de um governador em um momento em que ele também disputa a reeleição.
Para Jerônimo, a data permite associar sua imagem ao exercício do cargo, à presença institucional e às celebrações oficiais. O desafio está em manter essa atuação dentro do papel de governador, sem transformar uma agenda de Estado em ato de campanha.
ACM Neto, por outro lado, chega ao feriado como candidato ao governo estadual e pode explorar politicamente a movimentação dos grupos de oposição. Além da presença em eventos e manifestações, a data oferece espaço para reforçar discursos, ampliar a exposição e dialogar com o eleitorado em um momento de disputa apertada.
O peso das ruas na eleição
O impacto de uma manifestação sobre uma eleição não pode ser medido apenas pelo número de pessoas presentes. A repercussão das imagens, o alcance nas redes sociais e a capacidade de transformar uma mobilização em narrativa política também entram nessa equação.
É justamente por isso que datas como o 7 de Setembro podem ganhar importância em uma campanha. Uma grande mobilização pode produzir uma demonstração pública de força; uma baixa adesão, por outro lado, pode ser interpretada pelos adversários como sinal de dificuldade de mobilização.
Na Bahia, esse efeito ganha ainda mais relevância diante da disputa entre ACM Neto e Jerônimo. Os dois aparecem praticamente empatados nas pesquisas mais recentes, o que faz com que cada oportunidade de exposição pública e de contato com diferentes segmentos do eleitorado possa contribuir para a construção de imagem dos candidatos.
O resultado eleitoral, evidentemente, não será definido por uma única manifestação. Mas, em uma disputa tão equilibrada, o 7 de Setembro pode funcionar como mais um termômetro da capacidade de mobilização dos grupos políticos e da narrativa que cada lado conseguirá levar para as redes e para o eleitor.