ACM Neto volta a citar “buraco de Jerô” e critica governador por problemas de infraestrutura na Bahia

Por Redação 20/08/2026, às 13h07 - Atualizado às 13h07

Por Julia Lima

O candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, criticou a gestão do atual governador, Jerônimo Rodrigues, ao abordar os desafios de infraestrutura e logística do estado. Durante a fala, Neto afirmou que a Bahia precisará mudar sua estratégia de atração de investimentos diante das mudanças provocadas pela reforma tributária e defendeu a melhoria da infraestrutura como uma das principais alternativas para tornar o estado mais competitivo.

Segundo o candidato, o modelo de industrialização adotado pela Bahia nas décadas de 1990 e 2000 esteve fortemente baseado em incentivos fiscais, mas essa estratégia perderá espaço com a nova legislação tributária. Para ele, o estado deverá oferecer melhores condições de infraestrutura, segurança jurídica, estabilidade e agilidade nos processos de licenciamento e regulação para atrair empresas e gerar empregos.

Ao tratar da logística, ACM Neto direcionou críticas ao governo Jerônimo e afirmou que o também candidato construiu sua gestão em “promessas e propagandas“. Como exemplo, ele citou a situação das Ferrovias Centro-Atlântica (FCA) e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), além do Porto Sul, em Ilhéus, e das principais rodovias que cortam a Bahia. Neto afirmou que a FCA estaria “completamente abandonada” e classificou a situação da Fiol como uma “novela”, alegando que as obras de sua primeira etapa teriam sido interrompidas após cerca de 70% de execução. Sobre o Porto Sul, questionou a demora na conclusão do projeto.

A principal crítica ao governador, porém, foi direcionada às rodovias. Ao citar a BR-324, Neto fez referência ao episódio que chamou de “buraco de Jero”, embora tenha dito que se trata, na realidade, de uma “cratera”. A declaração ocorreu ao comentar as dificuldades enfrentadas pelos motoristas entre Salvador e Feira de Santana.

“Hoje, para você sair de Salvador e chegar em Feira em menos de duas horas e meia, é um milagre”, afirmou. Segundo ele, o deslocamento de ônibus pode levar ainda mais tempo.

O candidato também criticou as condições da BR-242 e mencionou problemas em outras rodovias federais, como as BRs-101 e 116. Na avaliação apresentada por Neto, parte das soluções depende da articulação do governo estadual com o governo federal, por meio de diálogo com deputados federais, senadores, ministros e o presidente da República.

Ao fazer a crítica política, ACM Neto lembrou que Jerônimo Rodrigues teria chegado ao governo defendendo que a proximidade partidária com o presidente da República facilitaria a solução dos problemas da Bahia. Para Neto, a situação atual da infraestrutura demonstra que essa expectativa não teria se concretizado.

“Qual é o legado que ele deixa?”, questionou o candidato, antes de citar novamente projetos como a Ponte Salvador-Itaparica, a BR-324 e outras obras de infraestrutura.

Como proposta, ACM Neto afirmou que pretende elaborar um planejamento estratégico econômico para cada um dos 27 territórios de identidade da Bahia. A ideia, segundo ele, é definir metas e prazos a partir das vocações econômicas de cada região, além de estabelecer os investimentos e serviços públicos necessários para estimular o crescimento do estado a partir do interior.

Neto teve uma declaração marcada por ênfase na defesa de uma mudança no modelo de atração de investimentos e realizou críticas à condução de obras de infraestrutura durante a atual gestão.

As falas foram ditas na manhã desta quinta-feira (20), durante a sabatina realizada pelo A Tarde.