Alckmin diz que Lei da Reciprocidade busca corrigir “injustiça”, e não retaliar os EUA

Por Redação 21/07/2026, às 21h04 - Atualizado 22/07/2026 às 01h21

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (21) que a Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma forma de retaliação aos Estados Unidos, mas como um mecanismo para responder de forma institucional às tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

A declaração foi feita após uma reunião com representantes de setores afetados pelo aumento das tarifas americanas. Segundo Alckmin, o objetivo do governo é corrigir uma situação considerada injusta, sem adotar medidas que agravem a disputa comercial.

“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou.

O vice-presidente ressaltou ainda que a Lei da Reciprocidade foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional e prevê instrumentos para uma eventual resposta do Brasil, respeitando procedimentos legais, como consultas e audiências públicas.

Governo prepara pacote de apoio

Enquanto mantém o diálogo com os Estados Unidos, o governo federal finaliza um conjunto de medidas para reduzir os impactos do tarifaço sobre empresas brasileiras. O plano está estruturado em três frentes: oferta de crédito para empresas afetadas, abertura de novos mercados para exportações e acompanhamento permanente dos setores mais atingidos.

Entre as iniciativas em estudo está a ampliação do acesso ao programa Brasil Soberano, com linhas de crédito voltadas ao capital de giro e a investimentos. Também é avaliada uma flexibilização temporária das regras do regime de drawback, que concede benefícios tributários para insumos utilizados na produção de bens destinados à exportação.

Outra possibilidade em análise é a revisão temporária de exigências relacionadas à manutenção de empregos para empresas que venham a receber apoio emergencial.

“O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo”, afirmou o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Busca por novos mercados

Além das medidas de apoio interno, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) intensificará a estratégia de diversificação dos destinos das exportações brasileiras.

Os mercados considerados prioritários incluem Índia, México, Japão, Singapura e outros países do Sudeste Asiático. O governo também pretende acelerar as negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Mercosul e Singapura.

A avaliação é que a ampliação dos mercados consumidores pode reduzir a dependência das vendas para os Estados Unidos, principalmente em setores industriais de maior valor agregado.

Setores mais afetados

As tarifas anunciadas pelo governo americano atingem principalmente produtos industriais brasileiros. Entre os segmentos mais expostos estão:

  • Eletroeletrônicos;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Autopeças;
  • Calçados;

Outros produtos industriais destinados ao mercado americano.

Segundo o governo, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e respondem por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Próximos passos

O governo trabalha com um cronograma para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma decisão dos Estados Unidos sobre a possibilidade de aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, relacionada a acusações de trabalho forçado.

Já em 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias brasileiras que estiverem em trânsito para o mercado americano.

Até essa data, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para consolidar um diagnóstico dos impactos e finalizar o pacote de apoio. Também está prevista uma missão oficial à Índia com o objetivo de ampliar oportunidades comerciais para exportadores brasileiros.