Da Redação, com informações da Agência Câmara
A disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados terá um número menor de candidatos em 2026. Até o fim do prazo para registro, encerrado neste sábado (15), 7.620 pessoas haviam apresentado candidatura ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O número representa uma redução em relação às eleições de 2022, quando 9.477 candidatos disputaram uma cadeira na Câmara. Os dados ainda podem sofrer alterações, já que os registros precisam ser analisados e julgados pela Justiça Eleitoral. Na eleição anterior, 1.153 candidatos tiveram os registros considerados inaptos.
Quase 15 candidatos por vaga
Com 513 cadeiras em disputa, a média nacional é de quase 15 candidatos para cada vaga. A concorrência, porém, muda de acordo com o número de cadeiras disponíveis em cada unidade da Federação.
O Distrito Federal apresenta a maior relação: são 164 candidatos para oito vagas, o equivalente a 21 concorrentes por cadeira. No Amapá, está a menor proporção: 89 candidatos disputam oito vagas, ou cerca de 11 candidatos por cadeira.
Quem está disputando?
O perfil dos concorrentes também apresenta mudanças em relação a 2022. A participação feminina passou de 35% para 37%. Neste ano, são 2.781 mulheres na disputa por uma cadeira na Câmara. Também cresceu a proporção de candidatos com ensino superior completo, de 68% para 71%.
Entre os candidatos indígenas, o número subiu de 50, em 2022, para 75 em 2026. Já a quantidade de pessoas transgênero passou de 19 para 24.
Menos deputados tentando permanecer na Câmara
Entre os 513 deputados atualmente em exercício, 437 tentam a reeleição neste ano. Em 2022, eram 448. Uma das principais mudanças está no número de parlamentares que decidiram disputar o Senado. O grupo passou de 21, em 2022, para 42 candidatos neste ano.
Também aumentou a quantidade de deputados que buscam uma vaga nas assembleias legislativas: de seis para 11. Além disso, cinco parlamentares disputam governos estaduais, um concorre à vice-presidência, um à vice-governadoria e três tentam o cargo de primeiro suplente de senador. Outros 13 deputados em exercício não concorrem a nenhum cargo eletivo.
Por que há menos candidatos?
A redução também está relacionada às mudanças na legislação eleitoral e à diminuição do número de partidos.
Desde 2021, cada legenda pode registrar até 100% do número de vagas disponíveis em determinado estado, mais uma candidatura. Em São Paulo, por exemplo, o limite é de 71 candidatos por partido. No Distrito Federal e em estados com menor número de cadeiras, o teto é de nove.
O fim das coligações proporcionais e a cláusula de desempenho também contribuíram para a reorganização do sistema partidário.
Atualmente, o Brasil tem 30 partidos, mas apenas 22 possuem representantes na Câmara. Em 2018, eram 36 legendas, das quais 30 elegeram deputados federais.
Partidos passaram por fusões
A cláusula de desempenho, que começou a ser aplicada nas eleições de 2018, estabeleceu exigências mínimas de votos ou de parlamentares eleitos para que as siglas tenham acesso a recursos e funcionamento parlamentar.
Nesse processo, algumas legendas foram incorporadas ou se fundiram. Entre os casos estão:
- Podemos, que incorporou PSC e PHS;
- Patriota, que incorporou o PRP;
- PCdoB, que incorporou o PPL;
- Solidariedade, que incorporou o PROS;
- Democratas e PSL, que formaram o União;
- Patriota e PTB, que deram origem ao Partido da Renovação Democrática (PRD).
Também foram formadas três federações partidárias: PT-PCdoB-PV, PSDB-Cidadania e Psol-Rede.
O que os partidos precisam alcançar?
Para cumprir a cláusula de desempenho em 2026, os partidos precisarão atingir uma das duas condições previstas:
- obter pelo menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em ao menos nove estados, com mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada um deles;
- eleger pelo menos 13 deputados federais, distribuídos em no mínimo nove estados.
Algumas legendas podem não alcançar as exigências porque não terão candidatos em quantidade suficiente em todas as unidades da Federação. Quatro partidos têm candidatos registrados nos 26 estados e no Distrito Federal: PL, com 534 candidatos; Novo, com 505; PT, com 354; e União, com 283.
Mulheres representam 37% das candidaturas
As mulheres representam 37% das candidaturas à Câmara em 2026, acima dos 35% registrados em 2022 e do percentual mínimo de 30% previsto nas regras eleitorais. A legislação determina que os partidos destinem às candidaturas femininas recursos proporcionais à participação das mulheres entre os candidatos, respeitando o mínimo de 30%. A mesma proporção mínima deve ser observada no tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão.
Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os recursos públicos destinados às campanhas fossem distribuídos proporcionalmente entre candidaturas femininas e masculinas. A participação das mulheres na disputa pela Câmara vem crescendo ao longo das eleições. Em 2002, elas representavam apenas 11% dos candidatos a deputado federal.
Entre os partidos, a maior proporção de candidaturas femininas aparece no PCdoB, com 51%, seguido por PCO, com 49%, e Cidadania e UP, ambos com 48%. Na outra ponta, Agir tem 33% de mulheres entre seus candidatos. Avante, DC, Mobiliza, PL, PSDB e Solidariedade registram 34%.
