Por Maria Eduarda Moura
Candidato ao governo da Bahia, ACM Neto não fugiu às expectativas no primeiro debate da eleição de 2026, realizado pela Band Bahia no domingo (9). Com uma estratégia clara de confronto, o candidato do União Brasil concentrou sua participação nos problemas da gestão de Jerônimo Rodrigues e tentou colocar o governador na posição de explicar questões que afetam diretamente a população.
Os questionamentos de Neto foram objetivos e concentrados em temas sensíveis, como a fila da regulação, a segurança pública e as condições das estradas baianas, especialmente a BR-324. Também entraram no embate questões relacionadas à infraestrutura, como as obras da Ponte Salvador-Itaparica.
A estratégia foi explorar problemas da administração estadual e cobrar respostas sobre promessas e resultados.
Na prática, porém, a atuação de ACM Neto não apresentou uma mudança significativa em relação ao discurso adotado desde o início da campanha. O candidato reafirmou sua posição como principal nome de oposição ao governo estadual, mas deixou uma questão em aberto: Só têm ataques à gestão Jerônimo?
O confronto também abriu espaço para que os adversários questionassem o próprio posicionamento político de Neto. Ronaldo Mansur explorou a aproximação do ex-prefeito com o campo bolsonarista e recuperou uma declaração atribuída a ele sobre Lula. A discussão colocou em evidência a relação de Neto com diferentes grupos políticos e sua posição diante do governo federal.
Ao ser questionado sobre sua relação com Brasília, Neto afirmou que não considera necessário que o presidente da República seja do mesmo partido para que um governador consiga administrar a Bahia. A resposta buscou reforçar a ideia de independência política e administrativa em relação ao governo federal.
Em um dos momentos de maior tensão, o governador reagiu a uma declaração de Neto sobre as condições das estradas baianas e chegou a solicitar direito de resposta, que foi negado. Também classificou como “herança malvada, perversa” o legado dos grupos que antecederam o PT no comando do Estado.
Nesse cenário, a principal dificuldade de Neto foi transformar os questionamentos em uma apresentação mais ampla de seu projeto para a Bahia. A concentração nos problemas da atual gestão garantiu ao candidato um território claro de oposição, mas deixou menos espaço para propostas concretas e para a demonstração de alternativas aos problemas levantados.
No fim a falta de acervo em pontos específicos e questionamentos que apoiassem as lacunas de entrega em grande escala go governo atual abriram o espaço para Jerônimo colocar em cheque o perfil que ACM tem se esforçado para construir: O homem do povo que abraça o interior.