O advogado Andrew Fernandes, representante do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, afirmou nesta quarta-feira (3) que seu cliente atuou para dissuadir o ex-presidente Jair Bolsonaro de adotar medidas golpistas. A declaração foi feita durante o segundo dia de julgamento da trama golpista na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nogueira é acusado pela Procuradoria-Geral da República de participar, entre 2022 e 2023, da elaboração de estratégias para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fernandes, no entanto, sustentou que o general não integrava a organização criminosa e buscou afastar Bolsonaro de “qualquer medida de exceção”.
O caso envolve ainda o relatório das Forças Armadas sobre o sistema eletrônico de votação. Segundo delação de Mauro Cid, Bolsonaro teria pressionado Nogueira por um documento “duro” contra as urnas. Embora o relatório não apontasse fraudes, sua divulgação foi adiada, o que levantou suspeitas de manipulação.
A defesa do ex-ministro negou irregularidades e disse que a versão não condiz com as provas.
Mais cedo, os advogados de Bolsonaro também se pronunciaram. Celso Villardi e Paulo Bueno alegaram que não há evidências de que o ex-presidente tenha atentado contra a democracia, classificando como frágeis as acusações baseadas na delação de Mauro Cid. Disseram ainda que as chamadas “minutas golpistas” nunca foram localizadas e que críticas feitas em lives não configuram tentativa de golpe.
A defesa destacou que Bolsonaro determinou a transição de governo, pediu o desbloqueio de rodovias e, após 31 de dezembro de 2022, não tinha mais responsabilidade sobre os eventos que se seguiram.
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