O segundo dia do julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus pela suposta trama golpista foi marcado pela apresentação das defesas do ex-presidente e de três generais. A sessão ocorreu apenas na manhã desta quarta-feira (3), com quase quatro horas de duração, e será retomada na próxima terça-feira (9), a partir das 9h, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro
Celso Vilardi, advogado do ex-presidente, afirmou que não há provas que liguem Bolsonaro aos ataques de 8 de janeiro ou a planos para impedir a posse de Lula. Ele disse que as acusações se baseiam em atos preparatórios e não em execução de crimes.
“Não há uma única prova que atrele o presidente à Operação Luneta, ao Punhal Verde e Amarelo e ao 8 de janeiro. Nem o delator falou isso”, declarou Vilardi, em referência à colaboração de Mauro Cid. O advogado disse ainda que o tenente-coronel “mudou versões” e não é confiável, apontando contradições reconhecidas pela própria Polícia Federal e pelo Ministério Público em relatório de novembro.
Segundo Vilardi, Bolsonaro não atentou contra a democracia, não incitou violência e deve ser absolvido. Para ele, a pena de até 30 anos pedida pela Procuradoria-Geral da República seria “injusta”.
Braga Netto
José Luís Oliveira Lima, defensor do general Walter Braga Netto, também criticou a delação de Cid, chamando-a de “incoerente” e com “vícios”. “Não se pode condenar alguém com base em uma narrativa. Tem que se condenar por provas”, afirmou. Ele disse que o ex-ministro da Casa Civil é inocente e que foi pressionado a delatar, o que a própria defesa de Cid já negou.
Augusto Heleno
A defesa do general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, questionou a atuação do relator Alexandre de Moraes e disse que um juiz não pode se tornar “protagonista do processo”.
“Que fique claro: nenhum militar foi procurado pelo general Heleno, nenhum militar foi pressionado [por ele]”, disse o advogado Matheus Mayer Milanez, que também negou a infiltração de agentes da Abin e destacou o afastamento entre Heleno e Bolsonaro no fim do mandato.
Paulo Sérgio Nogueira
Andrew Fernandes, advogado do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, afirmou que seu cliente tentou demover Bolsonaro de qualquer ação golpista. Ele destacou que o general sofreu ataques virtuais de apoiadores radicais e não esteve presente em reuniões suspeitas.
“Está mais do que provado que o general Paulo Sérgio é inocente. Ele não fazia parte dessa organização criminosa”, disse o defensor, que classificou como “infeliz” a fala de Nogueira sobre a fiscalização das urnas eletrônicas ser para “inglês ver”.
O julgamento ocorre em cinco sessões:
- 2 de setembro (9h às 12h e 14h às 19h), (relembre os principais pontos do 1º dia aqui)
- 3 de setembro (9h às 12h),
- 9 de setembro (9h às 12h e 14h às 19h),
- 10 de setembro (9h às 12h)
- 12 de setembro (9h às 12h e 14h às 19h).
As sessões podem ser acompanhadas ao vivo pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.