Festa para o STF? Daniel Vorcaro realizou evento de Halloween com presença de senadores e ministros

Por Redação 11/09/2026, às 18h55 - Atualizado às 19h19

Por Eric Tavares

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, organizou uma festa de Halloween, convidando figuras como os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, além dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Segundo informações divulgadas na madrugada desta sexta (11), a festa, realizada em 2023, reuniu 120 mulheres e 20 homens na boate Madame Satã, em São Paulo.

Duas pessoas ficaram responsáveis por organizar a festa: Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, e o promoter Tiago Polo. Segundo investigações, Faria teria convidado alguns homens selecionados a dedo por Vorcaro, enquanto Tiago deveria recrutar apenas mulheres da preferência do banqueiro: “Só menina nova”.

As mulheres recrutadas eram de quatro grandes agências: Mega, Ford, Allure e Jay. Para impedir possíveis vazamentos, os organizadores tinham preferência por contratar estrangeiras. Além disso, no evento, não eram permitidos celulares, que ficavam retidos na entrada.

As informações foram retiradas de 196 páginas de um relatório mantido em sigilo pelo STF.

As conversas iniciaram no dia 24 de outubro. Em mensagens, Fabio Faria avisou a Vorcaro que os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco já estavam confirmados. Segundo o organizador, o presidente do Senado estava “louco perguntando se as suíças vão vir”. Já no dia 25 de outubro, Tiago Polo teria conversado com Vorcaro sobre o recrutamento das mulheres.

Na conversa, Vorcaro demonstrou preocupação com a lista de convidados. “Irmão, a ideia da Allure é boa, mas não queria ninguém de fora nessa festa. De homem, vai ter uma turma relevante para mim, não quero ninguém desconfortável”.

Outras figuras chamadas para o evento eram o, na época, presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o ministro Alexandre de Moraes.

Na lista de convidados também estava uma pessoa de codinome “MV”. Segundo informações, era Marcus Vinicius, ex-presidente da OAB. Segundo as conversas, Marcus queria perguntar ao banqueiro se poderia convidar o empresário Wesley Batista. Vorcaro também chegou a perguntar sobre o senador Ciro Nogueira, mas Faria comentou que ele tinha uma viagem agendada no dia.

O local da festa foi mantido em segredo para evitar possíveis vazamentos. Faria tinha receio de que o evento acabasse vazando para o público. Por isso, chegou a pedir para Vorcaro diminuir o número de brasileiras. No fim, a festa aconteceu na casa noturna Madame Satã, em São Paulo.

A produtora contratada para organizar a festa era do Marrocos. Tudo era tratado em inglês e os valores, em dólar. Entre as atrações musicais, estavam os DJs suecos Swedish House Mafia, o DJ bósnio Solomun e o DJ brasileiro Vintage Culture.

Os convidados eram recebidos por um homem fantasiado na porta. Um grupo de pessoas foi contratado para se fantasiar na temática de Halloween, incluindo as mulheres convidadas, que também deveriam estar fantasiadas. Na ocasião, Vorcaro apareceu vestindo uma capa preta, e Fábio Faria, com apenas um boné.

O esquema de segurança era extremamente rígido, em que os presentes eram impedidos de fotografar qualquer área da festa, incluindo a fachada da boate.

Vorcaro se preocupou com possíveis vazamentos até nos dias posteriores à festa. Uma das convidadas, não identificada, postou em sua conta do TikTok um vídeo do evento. O banqueiro, irritado, pediu para retirar a postagem. O post foi apagado em seguida.

Os representantes das agências Mega, Joy, Ford e Allure negaram terem enviado modelos para a festa de Halloween. Eli Hadid, dono da Mega, comentou que Tiago Polo, um dos organizadores do evento, é vetado no mercado de modelos.

Fábio Faria afirmou que sua participação na festa restringiu-se apenas ao envio de convites. Já Tiago Polo, em nota, comentou que apenas participou na condição de profissional de relações públicas.

O ministro Dias Toffoli negou ter participado da festa. O senador Davi Alcolumbre afirmou estar cumprindo agenda de trabalho, enquanto Rodrigo Pacheco respondeu que estava em Brasília até a noite daquele dia e que sua participação poderia ser checada nos registros do Senado.

Sob supervisão da jornalista Maria Eduarda Moura