Em dura resposta ao governo dos Estados Unidos nesta sexta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as críticas da administração Donald Trump sobre a atuação do Brasil no combate ao crime organizado e rejeitou categoricamente a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo brasileiro defendeu que o país precisa “ganhar do crime organizado”, mas deixou claro que o enquadramento do termo exige motivação política e institucional, e não mercadológica.
“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, declarou o presidente, argumentando que a abordagem da Casa Branca distorce o conceito do crime ao tentar impor balizas internacionais à legislação brasileira.
A reação ocorre após Washington enviar um documento ao Congresso americano acusando o governo brasileiro de ser omisso no enfrentamento às duas facções, que já são formalmente designadas pelos EUA como grupos terroristas estrangeiros — rótulo que, no entanto, produz efeitos apenas dentro do território norte-americano.
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Ao destrinchar a sua discordância sobre o termo, Lula ponderou que a verdadeira definição da palavra está associada à desestabilização das instituições democraticamente constituídas. “Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta pela briga pelo poder”, explicou o presidente ao apontar para o contexto da política nacional.
Nesse cenário, o mandatário aproveitou para direcionar os holofotes ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos desdobramentos das investigações sobre a trama golpista que culminou nas invasões das sedes dos Três Poderes em Brasília. Para Lula, o episódio de 2023 se encaixa perfeitamente na definição de terrorismo político. “Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe dia 8 de janeiro. Isso é terrorismo”, disparou o presidente.
Lula foi além e vinculou a classificação às apurações policiais sobre planos de atentados letais arquitetados no ambiente da cúpula golpista. “Pensando em matar Lula, Alckmin e matar até o Alexandre Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, enfatizou o presidente, destacando que a tentativa de subverter a ordem democrática mediante violência e ameaças de morte é a real manifestação do fenômeno.
Além da disputa conceitual e jurídica, o presidente vinculou as pressões vindas de Washington a uma tentativa de ingerência sobre os ativos estratégicos do país. Ao citar o interesse do governo americano em minerais críticos, terras raras e nas reservas de petróleo brasileiras, Lula defendeu a necessidade de ampliação dos investimentos em segurança e soberania nacional. “Isso daqui é nosso”, cravou o presidente ao selar o tom da resposta diplomática, reiterando que o combate às facções seguirá sendo feito no Brasil sob as leis nacionais de organizações criminosas e por meio de cooperação internacional, mas sem a submissão do Estado.