Múcio alerta para risco de crise entre Venezuela e EUA atingir fronteira brasileira

Por Redação 06/09/2025, às 21h04 - Atualizado às 19h23

O ministro da Defesa, José Múcio, manifestou preocupação com a possibilidade de a crise entre Venezuela e Estados Unidos refletir na fronteira brasileira. Ele destacou que as Forças Armadas já haviam reforçado a presença militar na região antes da recente escalada de tensões.

“Estamos preocupados com a nossa fronteira, para que ela não sofra e não se transforme em uma trincheira. O Brasil é um país pacífico. Nós investimos em armas para defender nosso patrimônio, não de olho na terra de ninguém”, afirmou na última sexta (5) após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Múcio, operações permanentes já são realizadas na fronteira com a Venezuela. Em 2024, o governo havia programado a Operação Atlas, que ganhou mais importância após o agravamento do cenário internacional.

“Estamos deslocando tropas para a fronteira, pensando na COP30, em dar maior assistência a áreas mais inóspitas. De repente, estourou esse problema. Não fomos lá para ajudar a Venezuela, nem para não ajudar ninguém”, acrescentou.

Em dezembro de 2023, o Brasil também enviou tropas à região por conta da disputa territorial entre Venezuela e Guiana, no território de Essequibo.

“Briga de vizinho”

Sobre a tensão entre Caracas e Washington, Múcio classificou a situação como uma “briga de vizinho”.

“Eu não quero que eles mexam no meu muro, que tirem a fiação que acende a frente da minha casa, que mexam na minha casa. Torcemos para que isso passe. Evidentemente, eles devem ter os seus motivos”, declarou.

Nesta semana, o Brasil assinou, junto a países da América Latina e do Caribe, documento manifestando preocupação com a presença militar norte-americana na costa venezuelana.

Escalada militar

O governo Donald Trump deslocou navios e um submarino para a região, sob o argumento de combater o narcotráfico. Maduro rejeita as acusações de que lideraria um cartel e acusa Washington de tentar promover uma “troca de regime”.

No sábado (6), o presidente venezuelano pediu que os EUA reduzam as tensões:

“O governo dos Estados Unidos deve abandonar seu plano de mudança violenta de regime na Venezuela e respeitar a soberania, o direito à paz e à independência”, disse.

Na quinta-feira (4), o Departamento de Defesa norte-americano acusou Caracas de sobrevoar, com aeronaves militares, um navio dos EUA em águas internacionais. O governo venezuelano não comentou.

Em seguida, fontes ouvidas pela Reuters informaram que Washington enviou dez caças F-35 para Porto Rico, reforçando a presença militar no Caribe.

Na terça-feira (2), Trump divulgou vídeo de um ataque a um barco supostamente carregado de drogas próximo à Venezuela, que teria matado 11 pessoas. O governo Maduro reagiu afirmando que as imagens foram manipuladas com inteligência artificial.