PF aponta esquema de emendas ligado a Valdemar; cidades baianas receberam mais de R$ 32 milhões

Por Redação 10/07/2026, às 16h40 - Atualizado às 16h40

Uma investigação da Polícia Federal (PF) aponta a existência de um suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares envolvendo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. As informações constam de decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do dirigente partidário.

Segundo a PF, servidores da Câmara dos Deputados teriam criado um “arranjo decisório paralelo” para definir a destinação de emendas. Embora as indicações fossem atribuídas formalmente a parlamentares, as investigações apontam que elas eram associadas a Valdemar, que não possui mandato eletivo.

Mensagens encontradas no celular da servidora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, reforçam essa suspeita. Em uma das conversas, um assessor questiona o “valor do Pres Valdemar”, em referência a R$ 24 milhões. Em outro diálogo, uma servidora afirma que o dirigente pediu alterações em indicações porque alguns municípios não conseguiriam executar os recursos.

Ao cruzar planilhas apreendidas com dados do Portal da Transparência, a PF identificou 21 emendas atribuídas a Valdemar, que somam R$ 119,2 milhões, dos quais cerca de R$ 104 milhões já haviam sido pagos. A investigação apura possíveis crimes de peculato, desvio de recursos e associação criminosa.

Entre os municípios beneficiados estão três cidades baianas. Porto Seguro recebeu R$ 24,9 milhões para ações na área da Saúde, Morro do Chapéu foi contemplado com R$ 4,7 milhões para projetos urbanos e Itaguaçu da Bahia recebeu R$ 2,3 milhões destinados ao Turismo. Juntos, os repasses chegam a R$ 32,17 milhões.

Na decisão, Flávio Dino também determinou a suspensão da execução financeira das emendas investigadas e afirmou que os recursos públicos devem obedecer aos princípios da transparência e da rastreabilidade, não podendo ser tratados como patrimônio privado de partidos ou dirigentes políticos.

Em nota, Valdemar Costa Neto negou irregularidades. Ele afirmou que a articulação para a destinação de emendas faz parte das atribuições da liderança partidária e sustentou que não há indícios de fraude, desvio de finalidade ou benefício pessoal.