Por Záfya Tomaz
A segurança pública deve ser um dos principais temas da disputa pelo Governo da Bahia em 2026. A partir dos planos de governo apresentados pelos candidatos, o Taktá analisou as principais propostas de Jerônimo Rodrigues (PT), ACM Neto (União Brasil) e Ronaldo Mansur (PSOL), nomes que aparecem com maior destaque nas pesquisas eleitorais recentes. A disputa, no entanto, reúne outros candidatos ao Palácio de Ondina.
Mais do que os números, os programas apresentados pelos três mostram estratégias diferentes para lidar com um dos assuntos mais sensíveis da eleição: enquanto o governador aposta na ampliação de ações já adotadas pela atual gestão, Neto propõe uma mudança na condução da política de segurança e Mansur defende uma transformação mais profunda no modelo policial.
Jerônimo aposta em inteligência, tecnologia e continuidade
Candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues apresenta a segurança pública como uma área de continuidade e ampliação dos investimentos realizados durante seu primeiro mandato. Entre as ações destacadas estão a contratação de mais de 11 mil policiais, peritos e bombeiros, além da entrega de novas delegacias, batalhões e equipamentos.
Para um eventual segundo mandato, a proposta dá bastante espaço à inteligência policial e ao uso de tecnologia. O plano prevê uma Plataforma Estadual Integrada de Dados e Inteligência e a ampliação de ferramentas como câmeras corporais, videomonitoramento, reconhecimento facial e leitura automática de placas.
A ideia é integrar informações das diferentes forças de segurança e utilizar os dados para orientar o policiamento e as investigações.
Outro eixo é o combate às organizações criminosas, com foco em investigação, inteligência financeira, combate à lavagem de dinheiro e recuperação de ativos.
A proposta também prevê a ampliação do Bahia pela Paz, aproximando a política de segurança de ações sociais e de prevenção em áreas consideradas mais vulneráveis. A lógica de Jerônimo, portanto, é ampliar a estrutura existente e combinar presença policial, inteligência, tecnologia e prevenção.
ACM Neto quer mudar a forma de comandar a segurança
No plano de ACM Neto, a segurança aparece a partir de um diagnóstico mais crítico sobre a situação atual da Bahia. A proposta parte da necessidade de enfrentar o avanço das facções e melhorar a coordenação entre as forças.
Uma das principais ideias é criar uma “Governadoria da Segurança”, com participação direta do governador no acompanhamento das ações e das informações de inteligência. A proposta também estabelece uma cobrança maior por resultados. Os comandos regionais seriam submetidos a metas de redução de homicídios e de letalidade policial, com acompanhamento dos indicadores.
Outro ponto é a ampliação do uso de tecnologia e a integração dos sistemas de inteligência das polícias Civil, Militar e Penal. Neto também propõe um modelo de policiamento comunitário, com maior presença territorial e policiais de referência em determinados bairros.
O plano ainda prevê ações voltadas ao sistema prisional, investigação de homicídios e combate ao financiamento das organizações criminosas. A estratégia de Neto passa, principalmente, por uma mudança na gestão da segurança, com mais coordenação do governo, metas e cobrança de resultados.
Mansur propõe uma mudança no modelo policial
Entre os três programas analisados, Ronaldo Mansur apresenta a proposta de maior ruptura com o modelo atual. O candidato defende a desmilitarização das polícias e a construção de um modelo de caráter civil, com ciclo completo de atuação e mecanismos de controle interno e externo.
A proposta também questiona a lógica de enfrentamento da violência baseada exclusivamente na repressão. Mansur defende que a segurança seja articulada a políticas de educação, saúde, trabalho, renda, moradia e lazer, principalmente nas periferias.
O programa prevê ainda medidas relacionadas à reinserção de pessoas que deixam o sistema prisional, fortalecimento da Defensoria Pública e combate à superlotação carcerária. Nesse caso, a proposta combina uma reformulação da estrutura policial com uma aposta maior na prevenção social da violência.
No fim, os três programas partem de caminhos diferentes para enfrentar um mesmo desafio: reduzir a violência e ampliar a sensação de segurança na Bahia. A escolha entre mais investimento em tecnologia e inteligência, uma mudança na gestão das forças de segurança ou uma reformulação do modelo policial caberá ao eleitor. Até o fim da campanha, o desafio dos candidatos será transformar essas propostas em compromissos concretos, com metas, prazos e recursos para que o discurso saia do papel.