O governo chinês anunciou nesta quarta-feira (7), em comunicado oficial divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, que o vice-primeiro-ministro He Lifeng viajará à Suíça entre os dias 9 e 12 de maio para “conversas com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos”, Scott Bessent. O encontro marca o primeiro passo concreto rumo à reabertura das negociações comerciais entre as duas maiores economias do mundo, após conversas por telefone.
He Lifeng participará das reuniões como “líder chinês das relações econômicas e comerciais China-EUA”, conforme detalhado pelo governo de Pequim. A expectativa é que abordem sobre as tarifas impostas por Washington sobre produtos chineses, atualmente acumuladas em até 145%, resultado da soma de uma taxa de 20% aplicada no início do ano com a tarifa adicional de 125% anunciada no mês passado pelo presidente Donald Trump.
O Departamento do Tesouro americano e o escritório do Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, confirmaram a participação na agenda e destacaram que o encontro ocorrerá “a convite do governo suíço”. Antes das negociações formais, os representantes se reunirão com a presidente da Suíça, Karin Ketter-Sutter.
Em entrevista coletiva realizada na terça-feira (6), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China ressaltou que “as portas estão abertas se os EUA quiserem negociar”, e afirmou que, “se uma solução negociada é verdadeiramente o que os EUA querem, devem parar de ameaçar”.
Após a visita à Suíça, He Lifeng seguirá para a França, onde copresidirá o 10º Diálogo Econômico e Financeiro de Alto Nível China-França, entre os dias 12 e 16 de maio.
Enquanto isso, o governo dos EUA mantém sua política agressiva em relação a parceiros comerciais. Na mesma terça-feira, Trump recebeu na Casa Branca o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e foi categórico ao dizer que o Canadá não conseguirá alterar as tarifas de 25% atualmente em vigor: “É como as coisas são”, afirmou. Ele ainda sugeriu a renegociação do acordo comercial EUA-México-Canadá (USMCA), alegando que o tratado permitiu brechas exploradas por seus vizinhos.
O início do diálogo entre China e EUA sobre tarifas pode representar uma mudança de cenário global, com impacto direto na cadeia produtiva e nos mercados financeiros.