A Bahia registrou um dos menores percentuais de alfabetização infantil do Brasil em 2024. Apenas 36% das crianças da rede pública no estado foram consideradas alfabetizadas até o final do 2º ano do ensino fundamental, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Ministério da Educação (MEC). O índice está muito abaixo da média nacional (59,2%) e da meta prevista para o ano (60%).
Os dados fazem parte do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, pacto firmado entre o governo federal, os 26 estados e o Distrito Federal. A iniciativa estabelece que, até 2030, ao menos 80% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental. A meta para 2024 era de 60%.
O levantamento teve como base avaliações aplicadas entre outubro e novembro do ano passado, com participação de mais de 2 milhões de alunos de 42 mil escolas públicas em 5.450 municípios. No caso da Bahia, o desempenho foi considerado crítico: o estado está entre os oito piores do país, ao lado de Sergipe, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Amapá, Pará, Alagoas e Amazonas — todos com menos da metade das crianças alfabetizadas.
Foco nos municípios
Segundo o MEC, os esforços agora estão concentrados justamente nos estados com os menores índices. A Bahia é considerada um território prioritário, e vem recebendo apoio técnico direto do governo federal. Técnicos do ministério estão acompanhando de perto a situação nos municípios baianos com os piores resultados, inclusive com visitas presenciais às escolas.
— Temos a lista dos municípios prioritários por estado e também das escolas que mais precisam de atenção. O trabalho tem sido intenso e direcionado, com suporte semanal e presencial onde é necessário — afirmou a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt.
Ministro defende educação como política de Estado
Apesar da média nacional ter ficado abaixo da meta, o ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou que o país segue mobilizado e deve intensificar as ações para avançar já em 2025. Segundo ele, o MEC trabalha para aumentar em 5 pontos percentuais o índice de alfabetização no próximo ano.
— A educação precisa estar acima de qualquer disputa político-partidária. Essa tem que ser uma política de Estado, não apenas de governo — destacou o ministro.
As metas intermediárias do programa até 2030 são:
- 2025: 64%
- 2026: 67%
- 2027: 71%
- 2028: 74%
- 2029: 77%
- 2030: 80%
Além da alfabetização no 2º ano, o MEC também pretende recuperar a aprendizagem de crianças do 3º, 4º e 5º anos do ensino fundamental afetadas pela pandemia. A Bahia, com desempenho alarmante, deve permanecer entre os principais focos dessa mobilização nacional.