Salve o 2 de julho: Entenda a importância da celebração para o povo baiano

Por Redação 02/07/2025, às 04h50 - Atualizado às 05h44

Por Vitor Bahia*

O cortejo do 2 de julho é a celebração de um povo que se reconhece, não esquece de onde veio e sabe bem para onde vai. Neste dia, o povo baiano carrega nas costas o peso de uma história de luta. Uma luta de independência e emancipação das amarras portuguesas, de construção e reafirmação da sua cultura e identidade enquanto povo. Parafraseando o poeta Ladislau dos Santos Titara, o sol nasceu a 2 de julho de 1823 e nunca mais deixou de ser brasileiro.

A origem

De acordo com o historiador Ricardo Carvalho, o cortejo do 2 de julho como conhecemos atualmente, surgiu do desfile cívico e militar conhecido como a “Marcha da Vitória”. O desfile foi realizado no dia em que as tropas, formadas por homens e mulheres baianos, derrotaram as forças de Portugal ainda resistentes à independência da Bahia, mesmo após a proclamação da emancipação brasileira.

Naquele dia, dos patriotas militares aos negros e indígenas, todos se reconheceram como uma grande simbiose que os condensava como baianos ao marchar pelas ruas de Salvador exibindo estandartes, brandindo folhas de bananeiras e palhas de palmeiras como bandeiras, com o canto de comemoração da vitória sob os portugueses.

“A população, que vivenciou intensamente o cerco e a luta nos meses anteriores, se uniu de forma espontânea à celebração, transformando a marcha em um ato de afirmação coletiva”, Destacou Ricardo Carvalho.

Importância

A celebração é a resposta de um povo que conhece e relembra os heróis e seus atos heroicos na luta pela liberdade, com protagonismo feminino de Maria Quitéria, negro de Maria Felipa e indígena, representado por Caboclo e Cabocla. Com destaque de figuras religiosas como Joana Angélica e militares como João das Botas. Uma população separada por etnia, gênero, classe social e religião, mas unida por uma identidade, pertencimento, cultura e luta contra o colonialismo.

“As figuras do Caboclo e da Cabocla, representados no carro alegórico que lidera o cortejo, simbolizam a fusão das raças e a força do povo brasileiro. O Caboclo, ao lado da Cabocla, representa o povo insurgente que conquistou sua liberdade não apenas pela força das armas, mas pela resistência cultural e política. Como Historiador, percebo que a presença deles no desfile é um lembrete de que o 2 de Julho é uma celebração do povo para o povo”, afirmou Ricardo.

Em rodas culturais da Bahia, como o 3º Round, utilizam o grito “se é de lá que veio, é pra lá que vai”, para simbolizar o entendimento da história que é carregada no sangue baiano e a certeza de honrar as tradições e conquistas do seu povo, forjadas a ferro, pólvora e coragem para ser livre. O cortejo compartilha da mesma função cultural e social.

“Com o passar das décadas, o 2 de Julho se firmou como uma data fundamental na construção da identidade cívica baiana, tornando-se uma das festas populares mais importantes do Brasil, embora mantenha um caráter profundamente local e o resto do país tenha dificuldade de entender e digerir a importância do evento como responsável pela libertação nacional e a garantia da unidade do território brasileiro. Nas ruas de Salvador, cidades do Recôncavo, sertão e do interior, o festejo une gerações e reafirma que a liberdade, conquistada em 1823, continua a ser celebrada como um ato de resistência e de esperança”, completou o historiador.

O Hino da Bahia reúne muitas das peças e signos fundamentais que regem a emancipação do povo baiano e o 2 de julho. Composto por Ladislau dos Santos Titara, o hino é a representação da identidade e combate. É tocado em fanfarras, escolas, praças, aberturas de eventos cívicos  e sempre antes das partidas das equipes de futebol baianas, para nunca esquecer que “com tiranos não combinam, brasileiros corações”.

*sob a supervisão do jornalista Thiago Conceição.