Um erro de registro em um jogo vencedor da Mega-Sena, ocorrido em 1999, desencadeou uma disputa judicial que dura até hoje, com a determinação do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) para o pagamento de mais de R$ 700 mil por danos materiais e morais. O erro aconteceu quando um casal de Campo Grande acertou as seis dezenas do concurso 171, mas a funcionária da casa lotérica não registrou corretamente a aposta no sistema da Caixa Econômica Federal. Com a falha, o casal não recebeu o prêmio de mais de R$ 675 mil e iniciou uma batalha judicial para garantir a compensação.
Após anos de tramitação, o TRF-3 determinou a indenização de R$ 675.356,57 por danos materiais e R$ 25 mil por danos morais. No entanto, a Caixa Econômica recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu isentar a instituição bancária de responsabilidade, argumentando que não havia nexo causal entre a falha da funcionária e a ação da Caixa.
Recentemente, a situação ganhou destaque novamente com o caso de Elza Jesus Almeida, uma idosa de 64 anos, moradora de São Paulo, que afirmou ter vivido uma experiência semelhante durante o sorteio da Mega da Virada deste ano. Segundo Elza, ela fez oito apostas em uma lotérica, mas apenas sete delas foram registradas corretamente. O bilhete com os números sorteados – 01, 17, 19, 29, 50 e 57 – foi o único que ficou de fora, resultando na perda de mais de R$ 70 milhões.
Elza relatou que retirou os recibos e saiu da lotérica sem conferir os registros. Ao acompanhar o sorteio e perceber que os números estavam corretos, ela chegou a comemorar a vitória, mas foi seu filho quem percebeu a falha. Ao verificar os comprovantes, ele notou que, enquanto os dois primeiros jogos estavam registrados corretamente, o terceiro, contendo os números sorteados, não havia sido registrado. O caso gerou indignação e mais uma reflexão sobre as responsabilidades das lotéricas e da Caixa Econômica Federal nas apostas da Mega-Sena.