Estudo propõe novos testes de equilíbrio para prevenir quedas em idosos

Por Redação 15/01/2025, às 01h15 - Atualizado 14/01/2025 às 18h54

As quedas entre idosos são um grave problema de saúde pública, representando uma das principais causas de morte nessa faixa etária. Além dos riscos de fraturas e lesões, essas quedas podem reduzir significativamente a mobilidade e até levar ao óbito. Para minimizar os riscos, especialistas recomendam que idosos realizem testes de equilíbrio e mobilidade anualmente durante consultas de rotina. No entanto, um estudo recente sugere mudanças nesses exames para torná-los mais eficazes.

O teste convencional, que consiste em manter o idoso em equilíbrio por 10 segundos em posições específicas, tem sido amplamente utilizado. Contudo, pesquisa realizada pelo Laboratório de Avaliação e Reabilitação do Equilíbrio (L.A.R.E.) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, publicada na revista BMC Geriatrics, apontou que esse tempo é insuficiente para prever com precisão o risco de quedas futuras.

“A eficácia desse teste para identificar problemas iniciais de equilíbrio e prever quedas futuras ainda era incerta, principalmente porque 10 segundos podem ser insuficientes para uma avaliação completa”, afirmou Daniela Cristina Carvalho de Abreu, coordenadora do estudo.

Proposta

Entre 2015 e 2019, 153 idosos de 60 a 89 anos foram avaliados em Ribeirão Preto e região. Os participantes realizaram tanto os testes convencionais quanto variações com tempos ampliados. Os resultados indicaram que a permanência em posições mais desafiadoras, como a tandem (um pé à frente do outro) e a unipodal (em um pé só), por 30 segundos, é mais eficaz na previsão de quedas.

  • Idosos que caíram: Permaneceram, em média, 10,4 segundos na posição unipodal e 17,5 segundos na posição tandem.
  • Idosos que não caíram: Mantiveram-se 17,2 segundos na unipodal e 24,8 segundos na tandem.
  • Com base nesses dados, os pesquisadores propuseram um novo protocolo: dois testes de equilíbrio – tandem e unipodal – com tempo ampliado para 30 segundos em cada posição, com repetição para familiarização do idoso.

Implementação

A coordenadora do estudo defendeu a inclusão do novo teste na Atenção Básica, destacando que ele é simples, de baixo custo e não requer equipamentos especializados. “O teste pode ser realizado em espaços pequenos por profissionais de saúde com capacitação básica. Sua inclusão anual permite identificar idosos em risco e adotar intervenções preventivas, promovendo o envelhecimento saudável e reduzindo custos com tratamentos de lesões decorrentes de quedas”, explicou Daniela.

O novo modelo também prevê a estratificação do risco de quedas (baixo, moderado ou alto), o que facilitaria a personalização de medidas preventivas. Além disso, o teste de equilíbrio poderia ser complementado por avaliações de velocidade de marcha e outros exames para investigar fraqueza muscular, comprometimentos sensoriais ou problemas articulares.