Justiça afasta seis policiais denunciados pelo MP por homicídios em Caraíva

Por Redação 21/07/2026, às 13h45 - Atualizado às 13h51

A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) contra seis policiais envolvidos na Operação Travessia, realizada em maio de 2025, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro, e determinou o afastamento cautelar dos agentes de suas funções. A decisão foi proferida pela 1ª Vara Criminal de Porto Seguro na segunda-feira (20).

Além do afastamento, os dois policiais civis e quatro policiais militares denunciados também estão proibidos de manter contato com familiares das vítimas e testemunhas do caso durante o andamento do processo.

A denúncia foi oferecida pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), que atribui aos seis agentes a prática de dois homicídios qualificados. Segundo o MPBA, os crimes teriam sido cometidos por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas, com emprego de arma de fogo de uso restrito e de forma que colocou outras pessoas em risco.

Conforme a investigação, os policiais integravam uma equipe formada por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), responsável pela Operação Travessia.

De acordo com a denúncia, uma das vítimas foi morta após ser atingida por diversos disparos em via pública. A segunda teria sido abordada, revistada e, em seguida, baleada. Laudos periciais também apontaram a existência de lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos tiros.

O Ministério Público ainda denunciou os dois policiais civis por fraude processual. Segundo o órgão, após as mortes, eles teriam alterado a cena do crime com o objetivo de dificultar a apuração dos fatos e a reconstrução da dinâmica dos homicídios.

Já a possível participação de policiais militares em eventual fraude processual será analisada separadamente pela Vara de Auditoria Militar, responsável por julgar esse tipo de conduta.