UE avança em acordo histórico com o Mercosul após 26 anos de negociações

Por Redação 09/01/2026, às 15h30 - Atualizado às 15h26

Após mais de duas décadas de negociações marcadas por impasses, a União Europeia deu um passo decisivo para concluir um acordo histórico com o Mercosul. Nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, embaixadores do bloco europeu aprovaram o tratado comercial que, quando em vigor, deverá se tornar o maior acordo de livre-comércio já firmado pela UE.

O avanço ocorreu mesmo diante da resistência de alguns países. França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda votaram contra o acordo, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. Ainda assim, a maioria dos Estados-membros deu aval à proposta.

Os países têm até as 13h (horário de Brasília) para confirmar formalmente seus votos por escrito.

Apesar da aprovação, o acordo ainda precisa passar por novas etapas antes de entrar em vigor.

O texto deverá ser analisado e aprovado pelo Parlamento Europeu, além de enfrentar avaliações em parlamentos nacionais nos casos em que ultrapassa a política comercial do bloco.

O tratado envolve a União Europeia e os países do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e encerra um processo de negociação que se estendeu por 26 anos. Segundo relatos da imprensa internacional, o apoio dos Estados-membros foi condicionado à inclusão de mecanismos de salvaguarda voltados à proteção do mercado agrícola europeu.

Entre as medidas previstas estão instrumentos automáticos que podem ser acionados caso haja um crescimento expressivo das importações provenientes do Mercosul. A Itália liderou uma proposta para reduzir o percentual que dispara esses mecanismos, de 8% para 5%, embora ainda não esteja claro se a mudança será incorporada ao texto final.

O acordo prevê a criação da maior área de livre-comércio do mundo, reunindo um mercado estimado em cerca de 700 milhões de consumidores. Para a Comissão Europeia, o tratado tem peso geopolítico, especialmente diante do aumento da influência da China na América Latina e do cenário global de incertezas comerciais, marcado pela adoção de tarifas por grandes economias, como os Estados Unidos.

Do ponto de vista econômico, setores europeus como a indústria automotiva, a aviação, o segmento de máquinas e a exportação de produtos agrícolas, incluindo vinhos e queijos, estão entre os principais beneficiados com a redução de tarifas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na próxima semana para assinar o acordo. Mesmo após a assinatura, o tratado ainda precisará cumprir todo o trâmite legislativo para, então, entrar em vigor.