Varejo baiano mantém ritmo lento de crescimento e fica abaixo da média nacional em abril

Por Redação 12/06/2025, às 22h03 - Atualizado às 22h27

O comércio varejista da Bahia registrou um crescimento modesto em abril de 2025. Na comparação com março, houve avanço de 0,2%, o terceiro resultado positivo consecutivo. Apesar do desempenho acima da média nacional — que apresentou retração de 0,4% —, os números baianos seguem revelando um cenário de estagnação em relação ao restante do país.

No confronto anual, entre abril de 2024 e abril de 2025, as vendas no varejo baiano cresceram 1,8%, retomando uma sequência de 28 resultados positivos interrompida em março. Ainda assim, o desempenho ficou aquém do crescimento nacional de 4,8% e representou a menor taxa entre as 24 unidades da Federação com variação positiva.

A recuperação, no entanto, não é homogênea. O avanço no acumulado de 2025 (janeiro a abril) é de apenas 0,1%, muito abaixo da média brasileira de 2,1% e o mais fraco entre os estados que registraram crescimento. No recorte de 12 meses encerrados em abril, a Bahia apresenta uma alta de 3,6%, levemente superior ao índice nacional (3,4%).

A expansão das vendas em abril na Bahia concentrou-se em apenas três dos oito segmentos pesquisados pelo IBGE. O principal motor foi o setor de supermercados, que avançou 3,8% — apesar da taxa modesta, o segmento tem o maior peso na composição do varejo e, por isso, foi decisivo para o resultado geral. O setor voltou ao campo positivo após uma queda em março, retomando uma sequência de 21 meses consecutivos de alta.

O maior crescimento percentual foi registrado no segmento de “outros artigos de uso pessoal e doméstico”, que engloba grandes varejistas on-line: 12,7%, revertendo duas quedas seguidas. Já o setor farmacêutico também teve desempenho positivo (8,7%), mantendo uma impressionante sequência de 25 altas mensais seguidas, com destaque acumulado de 9% no ano.

Por outro lado, cinco atividades apresentaram queda nas vendas. O setor de móveis e eletrodomésticos recuou 5,2%, registrando sua segunda retração consecutiva e ajudando a frear o avanço do varejo baiano. Já o segmento de livros, jornais e papelarias continua em queda livre: -41,0% em abril, acumulando 27 meses seguidos de retração.

Quando se considera o varejo ampliado — que inclui, além dos segmentos tradicionais, veículos, motos, materiais de construção e atacado de alimentos — o panorama é ainda mais desafiador.

Em abril, houve uma leve alta de 0,1% em relação a março, resultado melhor que o nacional, que caiu 1,9%. No entanto, na comparação com abril de 2024, o varejo ampliado baiano sofreu retração de 2,2%, a segunda consecutiva, superando apenas Goiás (-9,2%) e ficando bem abaixo da média nacional (0,8%).

A principal influência negativa veio do atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, com queda de 22,2%, nona consecutiva desde agosto do ano passado. Em contraste, o setor de veículos teve um discreto avanço (0,1%) — o 13º seguido — e o de materiais de construção cresceu 3,3%, revertendo a perda de março (-5,7%).

No acumulado de janeiro a abril, o varejo ampliado da Bahia apresenta retração de 2,5%, terceiro pior desempenho entre os estados e bem abaixo do índice nacional (1,0%). Em 12 meses, o estado ainda sustenta alta de 1,9%, embora distante da média brasileira de 2,7%.