Gabriela Encinas e Mirian Silva
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, convocou os membros do colégio eleitoral para a escolha do novo comando da entidade. A votação será na próxima segunda-feira (24), um dia antes do clássico entre Brasil e Argentina, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.
Além do presidente, os eleitores vão decidir quem ocupará oito vagas de vice e três no conselho fiscal. Segundo o anúncio do edital, o prazo para registro das candidaturas vai até quarta-feira (19). Até o momento, não há previsão de que Ednaldo enfrente um adversário na disputa, tornando iminente sua reeleição, o que garantiria sua permanência no comando até 2026.
Além disso, a convocação acontece pouco tempo depois de o ex-jogador Ronaldo Fenômeno ter comunicado sua decisão de desistir de concorrer à presidência da CBF, alegando que a estrutura e o processo da eleição, que são fortemente influenciados pelas federações, desmotivaram sua candidatura. “No meu primeiro contato com as 27 filiadas, encontrei 23 portas fechadas”, declarou Ronaldo, referindo-se à relação das federações com a atual gestão. Por não conseguir o apoio das federações e não conseguir montar uma chapa, Ronaldo só teve a opção, por hora, de encerrar sua pré-candidatura.
O processo eleitoral da CBF gera repercussão há anos, principalmente pela falta de transparência e pelas alegações de que ele favorece interesses de um grupo seleto, dificultando mudanças na gestão do futebol no Brasil.
O presidente da CBF é eleito por um colégio eleitoral composto por representantes de federações estaduais e clubes. É necessário formar uma chapa, que exige o apoio de, no mínimo, quatro presidentes de federações estaduais e quatro times da Séries A ou B. No entanto, as federações têm um peso de voto muito maior, criando uma situação em que, na prática, são as federações que detêm o maior controle sobre a eleição do presidente da CBF, restringindo não somente a candidatura, mas também a pré-candidatura, devido às cláusulas de barreira.
O caminho até a candidatura
Para que um pré-candidato à presidência da CBF tenha sua candidatura formalizada, ele precisa do apoio de pelo menos quatro federações estaduais e quatro clubes, seja da séria A ou da B. Essas entidades devem assinar um documento atestando que o candidato pode participar da disputa, formando assim a sua chapa. Esse apoio não representa necessariamente um compromisso de voto, mas funciona como um reconhecimento da legitimidade da candidatura.
No processo de votação, todas as 27 federações têm o mesmo peso de voto, independentemente do tamanho ou da tradição no futebol. Cada federação tem um peso 3 na votação, totalizando 81 votos ao todo.
Mas tem também os clubes, são 20 clubes da primeira divisão com peso dois; os outros 20 times da segunda divisão com peso 1. As outras divisões não tem votos.
Veja os votos dos clubes do Campeonato Brasileiro:
- Série A: Cada clube tem voto com peso 2, somando 40 votos.
- Série B: Cada clube tem voto com peso 1, somando 20 votos.
- Séries C e D: Clubes dessas divisões não têm direito a voto.
Dessa forma, o peso total dos votos das federações é de 81, enquanto o dos clubes é de 60, consolidando a influência das federações na escolha do presidente. Caso um candidato tenha o apoio das 27 federações estaduais, ele já define a eleição, pois os outros poderão somar menos votos.
Para se candidatar e ser eleito, é necessário mais do que boas ideias e iniciativas para o esporte, o processo envolve uma complexa articulação política. A desistência de Ronaldo Fenômeno evidencia as dificuldades para qualquer candidato que queira se candidatar ao cargo, pois é necessário se desenvolver no meio antes de se candidatar.