O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) abriu nesta quarta-feira (19) um inquérito civil para acompanhar as ações do Estado Brasileiro e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no caso de racismo sofrido pelo jogador Luighi Hanri Souza Santos, do Palmeiras.
O episódio ocorreu em 6 de março, no estádio do Cerro Porteño, no Paraguai, durante a Copa Libertadores Sub-20. Na ocasião, torcedores paraguaios imitavam macacos e chegaram a cuspir na direção dos atletas brasileiros.
Os procuradores da República José Julio Araújo Junior e Jaime Mitropoulos querem apurar possíveis omissões da CBF na defesa do atleta. Entre os pontos investigados estão:
✔ Ausência de impugnação formal contra a falta de punição ao árbitro, que não interrompeu a partida como manda a normativa da Conmebol.
✔ Falta de solicitação de acesso à súmula do jogo, documento essencial para provar se o árbitro foi treinado para intervir em casos de racismo.
✔ Valor da multa aplicada ao Cerro Porteño, que ficou abaixo de punições aplicadas por publicidade irregular, embora o estatuto da Conmebol classifique o racismo como infração grave e imprescritível.
O Ministério do Esporte e a CBF foram notificados e têm 10 dias para informar quais medidas adotaram ou pretendem adotar para prevenir e combater o racismo no futebol.
Declaração polêmica
O MPF também investiga as recentes declarações de Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol. Em uma entrevista na última segunda-feira (17), Domínguez afirmou que a Copa Libertadores sem clubes brasileiros seria como ‘Tarzan sem a Chita’, comparando a importância do Brasil à personagem que é um chimpanzé.
Uma reunião foi agendada para o dia 28 de março, às 15h, na sede da Procuradoria do Rio de Janeiro. O encontro contará com a presença do ministro do Esporte, André Fufuca, e do presidente da CBF, Agnaldo Rodrigues, para discutir medidas concretas no combate ao racismo no futebol.
A Agência Brasil entrou em contato com o Ministério do Esporte e a CBF e aguarda posicionamento sobre o caso.