O sistema de transporte sobre trilhos no Brasil continua em processo de recuperação após a pandemia, e Salvador vem ganhando relevância nesse cenário. Com a Bahia ocupando a terceira posição em demanda no país, a capital reforça o papel do metrô na mobilidade urbana, apesar dos desafios estruturais.
Em 2025, metrôs e trens urbanos transportaram 2,59 bilhões de passageiros no Brasil, um crescimento de 0,8% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos).
Mesmo com a alta recente, o setor ainda não voltou aos patamares de 2019, quando foram registrados 3,22 bilhões de passageiros. O resultado atual segue abaixo desse nível.
Após uma retomada mais forte entre 2021 e 2024, o ritmo de crescimento perdeu intensidade. Mudanças no comportamento da população, como o avanço do home office, do ensino remoto e o aumento do uso de transporte individual, ajudam a explicar a desaceleração.
De acordo com a ANPTrilhos, a infraestrutura atual opera próxima da capacidade máxima. Sem ampliação da malha, o setor tende a crescer de forma limitada nos próximos anos.
Em 2025, a rede metroferroviária brasileira chegou a 1.144,7 km, com leve expansão em relação ao ano anterior. Ainda assim, há expectativa de cerca de R$ 50 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos.
A demanda por transporte sobre trilhos segue concentrada em poucos estados. São Paulo lidera com ampla vantagem, seguido pelo Rio de Janeiro, enquanto a Bahia aparece na terceira posição, com 4,5% da movimentação nacional.
Juntos, esses três estados concentram mais de 94% dos passageiros do país, evidenciando o peso de Salvador no sistema.
Na capital baiana, o transporte ferroviário passa por um novo ciclo de expansão, com obras que devem impactar diretamente a mobilidade urbana.
No metrô, o principal projeto é a extensão da Linha 1 até o Campo Grande, com cerca de 1 km, ligando a Estação da Lapa a áreas como Graça, Vitória, Garcia e Politeama. O investimento estimado é de R$ 1,5 bilhão.
O projeto do VLT também avança com maior abrangência. Com cerca de 43,7 km e aproximadamente 50 paradas, o sistema será dividido em três trechos.
O primeiro liga a Ilha de São João ao Comércio, passando pela Calçada e requalificando o Subúrbio Ferroviário. O segundo conecta Paripe a Águas Claras, com integração ao metrô. O terceiro segue até Piatã, aproximando o sistema da orla.
Apesar dos novos projetos, especialistas apontam que o avanço do setor depende de maior integração entre modais, unificação de tarifas e modernização dos sistemas de pagamento.
Atualmente, o sistema ferroviário brasileiro conta com 49 linhas em operação, distribuídas em 12 estados e 73 municípios, atendendo quase um quarto da população do país.