O setor de serviços prestados às famílias no Brasil atingiu em 2024 o maior patamar desde fevereiro de 2015, refletindo a redução do desemprego e o aumento do rendimento médio das famílias. O dado é da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em novembro, as atividades do setor cresceram 1,7% em relação a outubro, impulsionando o grupo a superar os níveis pré-pandemia e consolidar um desempenho positivo em 2024. Apesar disso, o setor ainda está 5,7% abaixo do pico registrado em maio de 2014.
Entre maio e novembro de 2024, os serviços prestados às famílias registraram expansão de 6,7% na comparação anual. O acumulado em 12 meses mostra alta de 5%. Segundo o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, a sequência de resultados positivos reflete as melhorias no mercado de trabalho e o aumento da renda das famílias, que ampliaram o consumo de serviços como restaurantes, academias, shows, hotéis e lavanderias.
Cenário econômico
A taxa de desemprego no Brasil fechou o trimestre encerrado em novembro em 6,1%, o menor índice da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012. Paralelamente, o rendimento médio real dos trabalhadores chegou a R$ 3.285, representando um aumento de 3,4% em relação a novembro de 2023.
A massa de rendimento, que soma todos os ganhos dos trabalhadores, atingiu R$ 332,7 bilhões, um recorde histórico e alta de 7,2% em 12 meses.
A economista Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que o mercado de trabalho aquecido é um motor essencial para a economia, mas alerta para possíveis pressões inflacionárias. “O aumento da demanda das famílias pode gerar inflação caso a oferta de bens e serviços não acompanhe esse ritmo. Para sustentar o crescimento econômico, é necessário ampliar os investimentos”, avaliou.
Desafios
Apesar do avanço no emprego e na renda, a inflação de 2024 fechou em 4,83%, acima da meta de 4,5% definida pelo Banco Central. O descompasso entre a alta da demanda e a capacidade produtiva da economia foi apontado como uma das causas principais do desvio.
Em carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o Banco Central ressaltou que o “hiato do produto” — medida que avalia o crescimento econômico acima do potencial — contribuiu para pressionar os preços.
O Monitor do PIB da FGV aponta que, embora os investimentos tenham crescido em 2024, o Brasil enfrenta desafios estruturais para manter um nível elevado de investimentos, essencial para evitar gargalos na oferta e garantir um crescimento sustentável.
O desempenho do setor de serviços prestados às famílias exemplifica os avanços econômicos do último ano, mas também evidencia a necessidade de políticas que equilibrem crescimento, controle da inflação e aumento de investimentos.