A um passo da Presidência: quem são os vices escolhidos para 2026

Por Redação 06/08/2026, às 14h18 - Atualizado às 14h18

Por Záfya Tomaz

Eles aparecem ao lado dos presidenciáveis nas convenções, participam da campanha e ajudam nas articulações políticas. Na urna, porém, têm um peso que nem sempre recebe a mesma atenção do eleitor: ao votar para presidente, o brasileiro também escolhe quem ficará a um passo de assumir o comando do país.

Com o encerramento das convenções partidárias, as principais chapas que disputam a Presidência da República em 2026 definiram seus candidatos a vice. Lula (PT) terá novamente Geraldo Alckmin (PSB); Flávio Bolsonaro (PL) escolheu Alfredo Gaspar (PL); Ronaldo Caiado (PSD) terá Gilberto Kassab (PSD); Romeu Zema (Novo) anunciou Eduardo Girão (Novo); e Renan Santos (Missão) formou chapa com Aroldo Medina (Missão).

Mas o que, de fato, faz um vice-presidente?

Muito além das viagens do presidente

A Constituição estabelece duas situações centrais para o cargo. O vice substitui o presidente quando há um impedimento temporário e o sucede quando a Presidência fica definitivamente vaga. Na prática, há uma diferença importante: substituir significa exercer o cargo por determinado período. Suceder significa assumir a Presidência e permanecer nela pelo restante do mandato.

É o que já aconteceu em diferentes momentos da história brasileira. José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer, por exemplo, foram eleitos como vice e posteriormente assumiram definitivamente a Presidência.

O cargo também não precisa ficar restrito à espera de uma eventual substituição. O vice pode auxiliar o presidente quando convocado para missões especiais e participar diretamente da administração, a depender da organização de cada governo. Politicamente, a escolha também é estratégica. Um companheiro de chapa pode servir para ampliar alianças, aproximar grupos diferentes, fortalecer a candidatura em determinadas regiões ou agregar características que o presidenciável não possui. A seguir, confira os perfis dos candidatos a vice nas principais chapas.

Geraldo Alckmin

Atual vice-presidente, Geraldo Alckmin repetirá com Lula a chapa vencedora de 2022. Médico, construiu a maior parte da carreira política em São Paulo, estado que governou por quatro mandatos. Alckmin também conhece uma disputa presidencial pelo outro lado da chapa. Foi adversário de Lula no segundo turno da eleição de 2006 e voltou a concorrer ao Planalto em 2018. Décadas depois de estarem em campos opostos, os dois se uniram em 2022 e mantêm a parceria para 2026.

Alfredo Gaspar

Escolhido como vice de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar tem 55 anos, é natural de Maceió e construiu a carreira no Ministério Público de Alagoas. Ex-promotor, comandou o órgão como procurador-geral de Justiça entre 2017 e 2020 e também foi secretário de Segurança Pública do estado. Atualmente, é deputado federal por Alagoas.

Gilberto Kassab

Na chapa de Ronaldo Caiado, o escolhido foi Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e um dos principais articuladores partidários do país. Kassab já foi deputado federal, vice-prefeito e prefeito de São Paulo, além de ter comandado ministérios durante os governos Dilma Rousseff e Michel Temer. A presença dele na chapa acrescenta à candidatura de Caiado um nome com experiência administrativa e forte atuação nas negociações políticas nacionais.

Eduardo Girão

Escolhido como vice de Romeu Zema, Eduardo Girão tem 53 anos, nasceu em Fortaleza e é empresário, com atuação em setores como hotelaria, segurança privada e produção audiovisual. Também presidiu o Fortaleza Esporte Clube. Em sua primeira disputa eleitoral, em 2018, foi eleito senador pelo Ceará com 1,3 milhão de votos, para um mandato que termina em janeiro de 2027.

Aroldo Medina

Renan Santos escolheu Aroldo Medina para completar a chapa do Missão. Tenente-coronel da reserva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e jornalista, Medina já disputou diferentes cargos eletivos no estado. Com os dois nomes pertencendo ao mesmo partido, Renan e Medina formam uma chapa chamada de “puro-sangue”, quando os candidatos a presidente e vice são da mesma legenda.

Os perfis e as estratégias por trás das escolhas são diferentes. Para o eleitor, porém, a regra é a mesma para todas as chapas: não existe um voto separado para vice-presidente.

Ao digitar e confirmar o número do candidato à Presidência, o voto também é dado ao respectivo companheiro de chapa. Um nome que pode aparecer menos durante a campanha, mas que estará, durante quatro anos, a apenas um passo da Presidência da República.