A Justiça da Itália aceitou nesta sexta-feira (22) um recurso da defesa da ex-deputada Carla Zambelli e anulou sua extradição ao Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Cassação de Roma, última instância do Judiciário italiano.
A defesa alegou perseguição política, riscos à segurança da ex-parlamentar no sistema prisional brasileiro e problemas de saúde. Também argumentou que Zambelli possui cidadania italiana.
Segundo a diplomacia brasileira, a decisão abre caminho para que a ex-deputada deixe a prisão em Roma, embora ela ainda responda a um segundo processo de extradição relacionado ao caso de porte de armas.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão por invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça ao lado do hacker Walter Delgatti. Ela deixou o Brasil e foi presa na Itália em julho de 2025.
A decisão causou surpresa entre autoridades brasileiras, já que Zambelli havia perdido em todas as instâncias anteriores na Justiça italiana. Em decisões passadas, os tribunais rejeitaram argumentos sobre perseguição política, parcialidade do ministro Alexandre de Moraes e supostas condições inadequadas das prisões brasileiras.
A Justiça italiana também já havia concluído que existia risco de fuga e que o estado de saúde da ex-deputada era compatível com a prisão, além de considerar insuficientes as provas apresentadas pela defesa sobre violações no sistema penitenciário brasileiro.
Mesmo autorizando anteriormente a extradição, a Itália havia imposto condições ao Brasil, como a permanência de Zambelli na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, acesso irrestrito à defesa e acompanhamento das autoridades diplomáticas italianas.
Agora, todas as decisões anteriores foram anuladas, e o caso seguirá para análise do governo italiano.