Maduro se declara inocente nos EUA e diz ser “prisioneiro de guerra” após captura em Caracas

Por Redação 05/01/2026, às 17h00 - Atualizado às 16h32

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (5) perante a Justiça dos Estados Unidos, após ser capturado por forças norte-americanas em Caracas no último sábado (3). Durante sua primeira audiência em um tribunal de Nova York, ele afirmou ser um “prisioneiro de guerra” do governo de Donald Trump e disse que continua sendo o presidente legítimo do país.

Maduro respondeu formalmente a quatro acusações apresentadas pela Justiça norte-americana: narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, posse de armas e explosivos e conspiração para a posse desses armamentos. A audiência teve caráter processual, servindo para a leitura oficial das acusações. O juiz responsável pelo caso marcou uma nova sessão para o dia 17 de março, quando Maduro e sua esposa, Cilia Flores, deverão prestar depoimento.

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Maduro e Cilia são apontados como integrantes de uma organização criminosa conhecida como “Cartel de los Soles”, acusada de atuar no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA. A Casa Branca classificou o grupo como organização terrorista, embora essa definição seja contestada por especialistas, que afirmam que o cartel não possui uma hierarquia formal, funcionando como uma rede de facilitação do narcotráfico.

Imagens divulgadas pela agência Reuters mostraram Maduro sendo transferido do Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, para o tribunal federal em Manhattan, onde ocorreu a audiência. Ele compareceu algemado nos tornozelos e utilizando fones de ouvido para acompanhar a tradução do procedimento. Cilia Flores também é alvo das investigações, conforme noticiado pela imprensa norte-americana.

Com a retirada de Maduro do poder, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência da Venezuela, por decisão do Tribunal Supremo de Justiça do país. As Forças Armadas venezuelanas reconheceram Rodríguez como chefe de Estado temporária por um período de 90 dias. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país está “no comando” da Venezuela após a captura de Maduro, declaração que elevou ainda mais a tensão política internacional em torno do caso.